Corinthians vê eleição presidencial ficar sob risco

Caíque Guirao

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Foto: José Manoel Idalgo / Ag Corinthians

2026 tem sido um ano bastante complicado para o Corinthians, principalmente fora de campo. E agora até a eleição presidencial pode estar sob risco.

Em entrevista concedida ao GE nesta última quarta-feira (30), Romeu Tume Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, explicou a atual situação da instituição.

Eleição presidencial sob risco?

De acordo com Tuma, esse é um risco real.

“Sim. Tem muita situação correndo. Por isso, falei que, no papel do Osmar (Stabile), eu faria um gesto para o Ministério Público, porque é o papel institucional de quem manda, de quem é o presidente. Isso não cabe a mim. Vão falar que o Tuma está se metendo, mas não é coisa dele. No dia daquela confusão no Conselho, quando ia ter a votação do estatuto, ele foi me acusar de que eu o ameacei. Mas, na prática, o que ele falou? “O Tuma, todo dia, manda um requerimento, um monte de perguntas”. Não sou eu. São os conselheiros”.

Na sequência, o presidente do Conselho Deliberativo sugeriu que Osmar Stabile procurasse o Ministério Público para propor um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e se comprometer com o que os agentes públicos envolvidos estão defendendo.

“Põe todo mundo e fala: “Para onde o senhor quer que eu vá? Vamos construir juntos esse caminho aqui e daqui a três meses eu entrego o cargo”. Eu acho que esse era o momento de falar: vamos passar a régua aqui, vota o estatuto, se compromete com as coisas que aqueles sérios que querem intervenção porque não acreditam mais no sistema e nos poderes internos”.

Intervenção Judicial

O Ministério Público, representado pelo trabalho de Luiz Ambra Neto e André Pascoal, vem avaliando a possibilidade, ou necessidade, de intervenção judicial no clube.

“Não sei (quem seria o responsável pelo clube caso a eleição não aconteça), depende do alcance da intervenção. Pode ser um interventor geral, que vai intervir no clube e no Conselho. Difícil uma intervenção que abranja todos os órgãos, porque, como é uma associação, o interventor pode eventualmente ter poderes para paralisar qualquer deliberação”.

“É óbvio que, se houver uma intervenção, algumas deliberações vão ficar paralisadas. Não acho que vai ter intervenção a ponto de extinguir o Conselho. Quem elege o Conselho são os associados. Se houver intervenção, porém, todas as ações serão pautadas pelos poderes estabelecidos para o interventor”, concluiu.

Reforma do estatuto

Precisando urgentemente modernizar e modificar diversos pontos da administração, o Corinthians estava votando algumas modificações, entretanto alguns conselheiros entraram com pedidos na Justiça e conseguiram travar o andamento do processo. E, para Tuma, isso pode fazer com que o MP entenda que a intervenção seja necessária.

“Com certeza, o estado de coisas hoje facilita muito. Qual é o âmago da discussão da reforma? Quem entrou com o pedido de intervenção: o Cássio Conserino, foram apontados vários aspectos, alguns reais e outros que não eram verdadeiros. Com o tempo, porém, alguns foram se tornando verdadeiros, foram acontecendo”.

Por fim, o presidente do Conselho Deliberativo acredita que tem agido corretamente.

“Hoje, no Corinthians, existe uma cobrança muito grande por causa dos meus atos como presidente do Conselho. Primeiro, isso demonstra claramente que eu estou certo: a gente tem agido corretamente. Eu não fiz nada que desabonasse minha conduta. Só fiz coisas para criar controle e efetividade no que manda o Estatuto e propus mudanças no Estatuto. Então, que mal eu fiz para o Corinthians? Acho que nenhum. Tanto que, se a gente tivesse avançado nas coisas que estávamos propondo, não estaríamos na situação em que estamos hoje, creio eu”.

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